A transição para o novo sistema tributário não é apenas normativa — ela impõe uma revisão profunda da precificação, da composição de custos e da estrutura de margem das pequenas e médias empresas. Com a uniformização das alíquotas, o fim da guerra fiscal e a não cumulatividade plena, setores como serviços, comércio, indústria leve, estética, saúde, tecnologia e mercado imobiliário precisarão reconstruir suas metodologias de preço. Este artigo apresenta uma leitura estratégica, conectada à realidade operacional das PMEs e à visão de negócios da VALIAN.
Por que a precificação será o ponto mais sensível para PMEs
A Reforma Tributária do Consumo altera a forma como empresas formam seus preços porque reorganiza três elementos fundamentais da operação:
- a carga tributária efetiva,
- a forma de recuperação de créditos,
- o momento em que o imposto é recolhido (especialmente com o split payment).
Para empresas que já acompanham temas de gestão financeira empresarial, fica claro que precificar hoje sem considerar o novo modelo é operar no escuro. Empresas de serviços, saúde, estética, varejo e tecnologia sentirão essa pressão antes de outros segmentos.
A recomposição tributária também afeta as relações comerciais B2B, que dependerão mais da coerência documental, tema já recorrente em conteúdos de contabilidade fiscal e tributária e notas fiscais.
A lógica da precificação muda porque a base de cálculo muda
Ao abandonar a fragmentação entre ISS, ICMS, PIS e COFINS, o sistema passa a trabalhar com alíquotas uniformes sobre valor agregado — o que simplifica, mas altera profundamente a margem praticável.
Como isso afeta quem vende serviços
Setores de serviços — estética, saúde, psicologia, consultoria, tecnologia, educação, design, marketing e outros — historicamente operaram com uma tributação menor sobre mão de obra e maior sobre faturamento. O novo modelo redistribui a carga tributária e pressiona estruturas de custo. Esse impacto se conecta a temas de gestão empresarial e governança, onde o preço deve refletir a margem real, e não percepções históricas.
Como isso afeta comércio e varejo
No comércio, a recuperação de créditos pode compensar a redução de alíquotas setoriais, mas apenas se a empresa tiver rigor documental. Varejistas e distribuidores precisarão monitorar suas cadeias de suprimento e aplicar controles mais próximos dos vistos em operações industriais.
Como isso afeta o setor imobiliário
No mercado imobiliário, a mudança na base de cálculo afeta:
- incorporação,
- aluguel,
- administração de imóveis,
- gestão de patrimônio,
- repasse de custos,
- contratos de longo prazo.
Esse é um dos setores com maior risco de distorções se não houver readequação adequada, especialmente em operações conectadas a temas de negócios e reestruturação societária.
A não cumulatividade e a importância da engenharia de custos
A não cumulatividade plena muda o jogo porque transforma o custo tributário em um elemento dinâmico, dependente da organização fiscal da empresa. Créditos mal aproveitados reduzem a margem real, enquanto créditos bem estruturados ampliam competitividade.
Isso exige:
- rigor na classificação fiscal de produtos e serviços,
- controle de fornecedores,
- organização documental contínua,
- integração entre financeiro, fiscal e jurídico.
Esse alinhamento é uma extensão natural dos temas discutidos em planejamento tributário, mas agora deixa de ser diferencial e se torna essencial para sobrevivência.
Tributação no destino: quando vender para outra região altera preço e margem
Com a tributação no destino, empresas que vendem para outros estados — e-commerce, varejo, tecnologia, estética, cosméticos, suplementos, equipamentos médicos, entre outros — precisarão lidar com:
- margens por região,
- logística tributária,
- repasse diferenciado por estado,
- estratégias comerciais regionalizadas.
Esse movimento exige previsibilidade e modelagem de cenários — especialmente para negócios que acompanham temas de economia e expansão comercial.
Split payment e o risco de precificar sem considerar fluxo de caixa
O split payment altera profundamente a dinâmica de caixa porque o imposto é retido no momento da transação. Isso significa que a precificação deve considerar:
- sazonalidade de recebíveis,
- capital de giro,
- inadimplência,
- conciliação automatizada,
- custos bancários e de transação.
Negócios de varejo, estética, academias, alimentação e imobiliárias serão os mais sensíveis. A maturidade da gestão financeira torna-se determinante para evitar rupturas.
Como precificar corretamente na era pós-reforma
A VALIAN identifica cinco pilares que PMEs devem adotar:
- Revisão completa da estrutura de custos
- Simulações com diferentes cenários de alíquota e créditos
- Integração entre financeiro, jurídico e fiscal
- Modelagem de margem setorial por região e segmento
- Monitoramento constante da regulamentação
Esse trabalho exige visão multidisciplinar — e será determinante para empresas que desejam preservar competitividade nos próximos anos.