O split payment é, possivelmente, a mudança mais disruptiva da Reforma Tributária do Consumo — e a menos compreendida. Ao reter automaticamente o valor do imposto no momento da transação, o novo modelo altera a mecânica financeira de negócios que operam com alta rotatividade, margens estreitas ou forte dependência de recebíveis. Para empresas de serviços recorrentes, comércio, alimentação e saúde, a lógica financeira deixa de ser operacional e se torna estratégica.
O novo fluxo de caixa líquido como paradigma empresarial
Para empresas que sempre trabalharam com base no valor bruto recebido, a transição para o modelo líquido exige revisão completa das políticas de pagamento, capital de giro e negociação com fornecedores. Esse novo paradigma exige maturidade na gestão financeira e integração com processos contábeis, especialmente em setores como restaurantes, varejo, academias, estética, profissionais da saúde, negócios de bem-estar e serviços recorrentes.
A fluidez do caixa deixa de depender apenas do desempenho operacional e passa a depender da capacidade da empresa de antecipar seus compromissos dentro do novo regime tributário.
O papel da contabilidade gerencial na nova economia tributária
Para quem opera com contabilidade gerencial, o desafio está em transformar dados dispersos em previsões financeiras robustas. O split payment exige projeções de curto, médio e longo prazo, análise contínua de margens e reestruturação de políticas de recebimento. Empresas que não ajustarem sua disciplina financeira sofrerão descasamentos entre receita e despesa que podem comprometer a saúde operacional.